quinta-feira, 14 de junho de 2007

Razões para se viver (ou não) em um condominio

Nas últimas décadas a sociedade contemporânea passa por uma tendência que vem se tornando padrão no cotidiano. Este novo estilo de vida, que alguns teóricos e críticos da comunicação costumam chamar de Sociedade Fast Food, vem se adaptando às diversas esferas do ser humano moderno. Devido à conturbação da “cidade grande”, os ambientes habitados pelo homem vêm se tornando mais compactos e práticos e o resultado desta compactação na atmosfera familiar do ser-humano são os condomínios. Entretanto, apesar do conforto e da particularidade propiciada pela vida em condomínios, as regras rígidas e o constante cuidado para com o espaço do outro leva a uma certa tensão dos moradores.
Quem mora em casa raramente se preocupa com o barulho do som, ou os incômodos que uma reforma pode causar a um vizinho. Por questão de espaço estes detalhes atingem pouco os moradores de um domicílio, mas o mesmo não ocorre com aqueles que dividem o mesmo terreno com outros moradores, como foi o caso de Márcia Cristina, 41 anos, que recentemente mudou-se para um apartamento no Bairro Itapoã. Há três meses atrás morava no bairro Mantiqueira, região metropolitana de Belo Horizonte, onde não tinha muita privacidade por morar muito próxima de outras famílias. Ao mudar com as filhas e o marido para um condomínio, o choque da mudança não foi tão empactante. Ressalva apenas que o pessoal do condomínio é pouco receptivo e já teve, inclusive, um conflito com um morador que não gostou muito do barulho da reforma que Márcia administrou em seu AP. No entanto Márcia afirma que ainda prefere uma casa, cujo terreno seja só seu, a ter de dividir um mesmo prédio com um monte de “desconhecidos”.
Já a psicóloga Ivana Gonçalves, 43 anos, admite preferir muito viver em um condomínio que uma casa. A razão, segundo ela, é a segurança que acredita ser maior. Ao contrário de Márcia, Ivana vive em apartamento à quase 30 anos e sempre teve umbom convício com os outros moradores. Atualmente vivem em um edifício no bairro Sagrada Família e diz que mesmo se ganhar na loteria, compraria uma cobertura, mas não abriria mão de um apartamento.

terça-feira, 5 de junho de 2007

A cultura do Salario Mínimo

No dia primeiro de abril de 2007 o salário mínimo brasileiro teve um aumento de 5,41%, passando de R$350,00 para R$380,00. Calculado com base na cidade de São Paulo, equivale a 1,99 cestas básicas; o maior poder de compra desde 1979, segundo dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Porém, após três meses de reajuste a população sentiu pouco a diferença no bolso.
A última pesquisa feita pela Fundação IPEAD-MG (Institutos de Pesquisas Econômicas e Administrativas de Minas Gerais) em abril de 2007, mês do reajuste, calculou o preço da cesta básica de Belo Horizonte no valor de R$167,44, representando 44% do piso salarial. Comparada com a declaração dada pelo presidente Lula no programa de radio Café com o Presidente - transmissão do dia 1° de maio - é uma porcentagem alta; já que a proposta do aumento seria sempre acima do valor da inflação. “Mas, o que nós estamos fazendo é que estamos reajustando o salário mínimo sempre acima da inflação para que a gente possa ter um poder de compra que permita um cidadão que ganhou o salário mínimo cuidar de si e da sua família”, disse o presidente no programa transmitido no feriado do dia do trabalhador.
Já a recepcionista Silvana Santos Silva, mãe de uma criança de 2 anos e moradora de Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte, acha pouco o piso salarial estipulado pelo governo. Mesmo recebendo R$430,00, um pouco acima do mínimo atual, acha a compra mensal de mantimentos para sua família muito cara, principalmente quando feita em sua cidade. “Talvez por Ibirité ser um pouco longe do Centro de Belo Horizonte, as “coisas” lá costumam ser mais caras. Por isso prefiro comprar o que posso aqui mesmo em Belo Horizonte”. Apesar de não estar de acordo com os preços caros dos alimentos, diz conseguir viver razoavelmente bem com o auxilio de seu marido, que também ajuda no orçamento da casa.
Entretanto, um aumento radical no salário mínimo, como os prometidos por vários candidatos em período eleitoral, seria inviável. O diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Sabóia, explica que por ter sido assimilado ao piso de vários benefícios, como aposentadoria, qualquer elevação no valor do salário representa um aumento nas despesas públicas. “Insistir na elevação do SM ( salário mínimo) sem enfrentar a questão das despesas publicas, representa um total desencontro entre seus proponentes e as autoridades governamentais. Enquanto os primeiros argumentarão que o valor do SM é muito baixo os segundos responderão que não há recursos suficientes para aumentá-lo.”
Mesmo com um impacto nas contas da previdência de quase R$5,9 bilhões, o reajuste do salário mínimo foi aprovado por meio de uma medida provisória, já que a lei que regulamenta o aumento salarial não foi aprovada pelo Congresso Nacional.

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terça-feira, 29 de maio de 2007

O Novo Perfil dos Católicos

No período em que o Papa Bento XVI visita o Brasil pela primeira vez, uma análise realizada pelo Ibope mostra como o católico brasileiro deixou de lado a disciplina imposta pelo Vaticano. A pedido da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a pesquisa ouviu 1.268 jovens católicos entre 18 e 29 anos que, apesar de irem contra grande parte das normas da religião, se dizem bons ecumênicos e que a igreja está muito atrasada em relação aos padrões da sociedade atual.
Contrariando o radicalismo do Papa Joseph Hatzinger, 88% dos jovens acreditam que podem fazer uso de métodos anticoncepcionais e continuar sendo católicos, outros 79% são a favor de fazer sexo antes do casamento, enquanto 62% são contra a prisão de mulheres que fizeram aborto. Segundo a antropóloga Regina Novaes, no Brasil sempre foi possível ser católico e não seguir a doutrina devido à mistura da religião em questões políticas e culturais. “O batizado, o casamento religioso e o enterro católico fazem parte dos rituais de apresentação social no país, expressam diferenças de poder aquisitivo e prestígio”, diz a intelectual que trabalha na área de religião e juventude.
Outro fator negativo para a Igreja Católica é o grande número de fiéis que decidiram ingressar na religião evangélica. O Censo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que entre 2000 e 2003 o número de católicos praticantes teve uma queda de 10 pontos percentuais e que a percentagem se manteve desde então, com o catolicismo representado 74% da população brasileira. Já um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo mostra que o número de seguidores da crença romana continua em declínio, tendo hoje 68% dos brasileiros freqüentando a igreja.
Mesmo com os números desanimadores, Bento XVI não demonstra receio quanto à fé do Brasil e já afirmou que prefere qualidade em relação à quantidade. A afirmação do ex-arcebispo faz referência aos considerados católicos praticantes; aqueles que têm o hábito de freqüentar semanalmente a igreja e seguir os preceitos da religião, além de acompanhar fielmente as lições ouvidas durante o sermão feito pelo Padre. Mas até mesmo a qualidade buscada pelo Santo Pontífice será difícil de encontrar no Brasil. Outra pesquisa, desta vez feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sócias (CERIS), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostrou que apenas 10% dos católicos participam de atividades religiosas duas ou mais vezes por semana, contra 55% dos evangélicos históricos e 68% dos pentecostais. A socióloga e consultora do CERIS, Silvia Fernandes, diz que o papa não vai encontrar uma identidade católica no Brasil e sim várias. “Ser o maior país católico significa admitir a convivência de vários catolicismos”, afirma a consultora.

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terça-feira, 22 de maio de 2007

E tem início a semana literária.

Em parceria com a Academia Mineira de Letras, a Faculdade Estácio de Sa de Belo Horizonte promoveu, do dia sete à onze de maio, uma série de palestras para o curso de Publicidade/Propaganda e Jornalismo, enfocando os vários aspectos da literatura no cotidiano brasileiro. O presidente da Academia Mineira de Letras, o advogado e ex-secretário de Estado Murilo Badaró, fez a abertura do evento narrando diversos episódeos resonsáveis pelo processo literário do Brasil. Da carta de Pero Vaz de Caminhas aos contos de Fernando Sabino, o presidente da academia mostrou, em um contexto histórico, como questões culturais e religiosas moldaram nossa literatura e quais destes aspectos ainda se encontram presentes em nossas obras. Murilo Badaró também fez uma análise conteporânea da escrita moderna; ao criticar o romance erótico "Triangulo no Ponto", escrito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau, o presidente da Academia Mineira de Letras citou uma frase de Bernardo Guimarães: "Não existe romance se não for presidido pelo bom senso e pelo bom gosto". Ao terminar a apresentação Murilo Badaró entregou ao reitor da faculdade, Carlos Alberto Teixeira, o certificado de abertura da semana literária. Após inaugurar mais uma sala no campos prado, o ex-secretário de Estado seguiu com um seleto grupo de alunos para um coquetel realizado na casa de cultura em comemoração à parceria com a faculdade.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Desigualdade Profissional

Por ser uma profissão defasada pela mídia, há de se pensar que o piso salarial da categoria dos cenotécnicos, profissionais responsáveis pela preparação e manutenção do cenário de espetáculos artisticos, seja abaixo dos demais setores envolvidos em eventos culturais; como atores diretores e produtores. E de acordo com o coordenador técnico Richard Zaira, a qusetão salarial dos profissionais da área técnica não foge muito à essa perspectiva. Os operários responsáveis pela preparação do palco, cenário e iluminação ganham em média R$800,00; o que está dentro da média recebida pelos trabalhadores deste setor, que varia de R$485,00 à R$1.600,00.
Richard explica que essa desvalorezação da carreira começa na má administração, ou em alguns casos descaso, dos responsáveis pelo teatro, que aceitam pessoas sem capacitação e formaçã trabalhando na manutenção da casa teatral. Não é raro encontrar atores, leigos neste tipo de situação, trabalhando na iluminação de um palco. Consequentemente, a qualidade do trabalho fica aquém do que seria realisado por um cenotécnico profissional, mas ainda assim a responsabilidade acaba sendo dos operários, que tanto na teoria quanto na prática são são os verdadeiros responsáveis pelo projeto. Por esses e outros fatores a classe acaba optando pelo trabalho informal, atuando como freelancers, não apenas em peças teatrais, mas em shows e outros tipos de eventos.
A classe dos cenógrafos e cenotécnicos está enquadrada na categoria de Profissionais Diferenciados, que envolve todo o conjunto de artistas e técnicos em espetáculos de diversões. Neste grupo está incluindo atores teatrais, atores cinematográficos, bailarinos, modelos, entre outros. Essa "miscigenação" acarreta alumas dificuldades para os profissionais, como a existência de um único sindicato responsável por atendender todas as exigências dos diversos grupos envolvidos nesta categoria. Consequentemente, alguns acabam ficando no prejuízo na hora de definir qual classe requer maiores atenções; o que constantemente acaba sendo o caso destes operários das artes cênicas.

terça-feira, 27 de março de 2007

Nao perdoaram nem os domingos...

A abertura do comercio aos domingos reacendeu uma velha disputa sindical entre patroes e empregados nas ultimas duas semanas. Através de liminares, varios setores comerciais tiveram o direito concedido pela justiça de abrir suas lojas em pleno domingo, dia considerado sagrado para a maioria dos brasileiros. A guerra comercial teve inicio em Salvador, Bahia, quando uma franquia de supermercados da rede Pão de Açucar obteve autorização temporaria da justiça para abrir aos domingos até as 14 horas. Isso obrigou varias concorrentes tentarem, com sucesso, compensar o prejuiso abrindo tambem no primeiro dia da semana. A polêmica teve maior repercução quando, de acordo com pesquisa feita pelo Ibope em 2003, 59% das pessoas entrevistadas sobre a abertura do comercio aos domingos eram favoraveis à ideia. O curioso é a divergencia na constituição brasileira que garante um dia de descanço para os trabalhadores, mas também concede o direito do comercio funcionar em tal dia. Isso serve para confirmar o estereotipo brasileiro de trabalhadores compulsivos.

Leia tambem: A polemica está no ar

sexta-feira, 2 de março de 2007

E nós nao vamos fazer nada...

Em fevereiro deste ano o Brasil ficou chocado com a morte de João Helio Fernades, uma criança de 6 anos de idade morador do Rio de Janeiro. O garoto foi arrastado por 14 ruas, um trajeto que cubriu cerca de 7km dos bairros da zona norte do Rio, após quatro assaltantes, d'entre eles um menor, levarem o Corsa de sua mãe ignorando a crianca presa ao cinto de seugurançano banco de tras do veículo. Um motoqueiro que tentou alertar os meliantes quanto à crinaça pendurada pela porta foi ameaçado com uma arma por um dos assaltantes, que alegaram que João nao passava de um simples "boneco de Judas". O suplicio de Joao Helio só foi terminar quando o carro foi deixado em uma rua sem saida na regiao de Cascadura, onde os assassinos nao tiveram alternativa a nao ser abandonar o garoto e fugir a pé. A crueldade com que o crime ocorreu mobilisou grande parte do país, inclusive a força policial carioca, que em uma operação atipicamente rápida localisou os criminosos no dia seguinte. Diante de mais um episodio bárbaro o legislativo do país foi pressionado a rever muitas das leis responsaveis por crimes hediondos, inclusive as que constam no Estatuto da Criança e do Adolescente, ja que um menor de 18 anos estava envolvido no crime e segundo a lei que protege os menores o tempo máximo de reclusao de uma "criança" ou "adolescente" é de tres anos. A familia de João e grande parte dos solidarios à morte do menino, é a favor da redução da maioridade penal e uma punição mais rígida para os que cometem crimes hediondos. Segundo a Câmara dos Deputados, o país não pode tomar uma decisão desta proporção neste clima de revolta e vingança, o que terminou gerando mais polêmica sobre o caso. Instituiçoes privadas deram inicio à uma campanha cujo o slogan é a pergunta "nós não vamos fazer nada?",fazendo alusão a varios episodios de nivel bárbaro semelhantes ao de João, quando após o tempo de luto sobre o fato tudo foi esquecido, ignorado e em alguns casos até mesmo perdoado. O deputado federal Fernando Gabeira (PV) questiona quando então uma decisão será tomada, pois crimes chocantes como este estão cada vez mais frequentes, o que nao deixa espaço para a suposta calma necessaria para enfrentarmos casos como este de frente. Sendo assim, novamente por enquanto, nós não vamos fazer nada.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007