No dia primeiro de abril de 2007 o salário mínimo brasileiro teve um aumento de 5,41%, passando de R$350,00 para R$380,00. Calculado com base na cidade de São Paulo, equivale a 1,99 cestas básicas; o maior poder de compra desde 1979, segundo dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Porém, após três meses de reajuste a população sentiu pouco a diferença no bolso.
A última pesquisa feita pela Fundação IPEAD-MG (Institutos de Pesquisas Econômicas e Administrativas de Minas Gerais) em abril de 2007, mês do reajuste, calculou o preço da cesta básica de Belo Horizonte no valor de R$167,44, representando 44% do piso salarial. Comparada com a declaração dada pelo presidente Lula no programa de radio Café com o Presidente - transmissão do dia 1° de maio - é uma porcentagem alta; já que a proposta do aumento seria sempre acima do valor da inflação. “Mas, o que nós estamos fazendo é que estamos reajustando o salário mínimo sempre acima da inflação para que a gente possa ter um poder de compra que permita um cidadão que ganhou o salário mínimo cuidar de si e da sua família”, disse o presidente no programa transmitido no feriado do dia do trabalhador.
Já a recepcionista Silvana Santos Silva, mãe de uma criança de 2 anos e moradora de Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte, acha pouco o piso salarial estipulado pelo governo. Mesmo recebendo R$430,00, um pouco acima do mínimo atual, acha a compra mensal de mantimentos para sua família muito cara, principalmente quando feita em sua cidade. “Talvez por Ibirité ser um pouco longe do Centro de Belo Horizonte, as “coisas” lá costumam ser mais caras. Por isso prefiro comprar o que posso aqui mesmo em Belo Horizonte”. Apesar de não estar de acordo com os preços caros dos alimentos, diz conseguir viver razoavelmente bem com o auxilio de seu marido, que também ajuda no orçamento da casa.
Entretanto, um aumento radical no salário mínimo, como os prometidos por vários candidatos em período eleitoral, seria inviável. O diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Sabóia, explica que por ter sido assimilado ao piso de vários benefícios, como aposentadoria, qualquer elevação no valor do salário representa um aumento nas despesas públicas. “Insistir na elevação do SM ( salário mínimo) sem enfrentar a questão das despesas publicas, representa um total desencontro entre seus proponentes e as autoridades governamentais. Enquanto os primeiros argumentarão que o valor do SM é muito baixo os segundos responderão que não há recursos suficientes para aumentá-lo.”
Mesmo com um impacto nas contas da previdência de quase R$5,9 bilhões, o reajuste do salário mínimo foi aprovado por meio de uma medida provisória, já que a lei que regulamenta o aumento salarial não foi aprovada pelo Congresso Nacional.
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