terça-feira, 29 de maio de 2007

O Novo Perfil dos Católicos

No período em que o Papa Bento XVI visita o Brasil pela primeira vez, uma análise realizada pelo Ibope mostra como o católico brasileiro deixou de lado a disciplina imposta pelo Vaticano. A pedido da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a pesquisa ouviu 1.268 jovens católicos entre 18 e 29 anos que, apesar de irem contra grande parte das normas da religião, se dizem bons ecumênicos e que a igreja está muito atrasada em relação aos padrões da sociedade atual.
Contrariando o radicalismo do Papa Joseph Hatzinger, 88% dos jovens acreditam que podem fazer uso de métodos anticoncepcionais e continuar sendo católicos, outros 79% são a favor de fazer sexo antes do casamento, enquanto 62% são contra a prisão de mulheres que fizeram aborto. Segundo a antropóloga Regina Novaes, no Brasil sempre foi possível ser católico e não seguir a doutrina devido à mistura da religião em questões políticas e culturais. “O batizado, o casamento religioso e o enterro católico fazem parte dos rituais de apresentação social no país, expressam diferenças de poder aquisitivo e prestígio”, diz a intelectual que trabalha na área de religião e juventude.
Outro fator negativo para a Igreja Católica é o grande número de fiéis que decidiram ingressar na religião evangélica. O Censo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que entre 2000 e 2003 o número de católicos praticantes teve uma queda de 10 pontos percentuais e que a percentagem se manteve desde então, com o catolicismo representado 74% da população brasileira. Já um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo mostra que o número de seguidores da crença romana continua em declínio, tendo hoje 68% dos brasileiros freqüentando a igreja.
Mesmo com os números desanimadores, Bento XVI não demonstra receio quanto à fé do Brasil e já afirmou que prefere qualidade em relação à quantidade. A afirmação do ex-arcebispo faz referência aos considerados católicos praticantes; aqueles que têm o hábito de freqüentar semanalmente a igreja e seguir os preceitos da religião, além de acompanhar fielmente as lições ouvidas durante o sermão feito pelo Padre. Mas até mesmo a qualidade buscada pelo Santo Pontífice será difícil de encontrar no Brasil. Outra pesquisa, desta vez feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sócias (CERIS), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostrou que apenas 10% dos católicos participam de atividades religiosas duas ou mais vezes por semana, contra 55% dos evangélicos históricos e 68% dos pentecostais. A socióloga e consultora do CERIS, Silvia Fernandes, diz que o papa não vai encontrar uma identidade católica no Brasil e sim várias. “Ser o maior país católico significa admitir a convivência de vários catolicismos”, afirma a consultora.

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