No período em que o Papa Bento XVI visita o Brasil pela primeira vez, uma análise realizada pelo Ibope mostra como o católico brasileiro deixou de lado a disciplina imposta pelo Vaticano. A pedido da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a pesquisa ouviu 1.268 jovens católicos entre 18 e 29 anos que, apesar de irem contra grande parte das normas da religião, se dizem bons ecumênicos e que a igreja está muito atrasada em relação aos padrões da sociedade atual.
Contrariando o radicalismo do Papa Joseph Hatzinger, 88% dos jovens acreditam que podem fazer uso de métodos anticoncepcionais e continuar sendo católicos, outros 79% são a favor de fazer sexo antes do casamento, enquanto 62% são contra a prisão de mulheres que fizeram aborto. Segundo a antropóloga Regina Novaes, no Brasil sempre foi possível ser católico e não seguir a doutrina devido à mistura da religião em questões políticas e culturais. “O batizado, o casamento religioso e o enterro católico fazem parte dos rituais de apresentação social no país, expressam diferenças de poder aquisitivo e prestígio”, diz a intelectual que trabalha na área de religião e juventude.
Outro fator negativo para a Igreja Católica é o grande número de fiéis que decidiram ingressar na religião evangélica. O Censo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que entre 2000 e 2003 o número de católicos praticantes teve uma queda de 10 pontos percentuais e que a percentagem se manteve desde então, com o catolicismo representado 74% da população brasileira. Já um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo mostra que o número de seguidores da crença romana continua em declínio, tendo hoje 68% dos brasileiros freqüentando a igreja.
Mesmo com os números desanimadores, Bento XVI não demonstra receio quanto à fé do Brasil e já afirmou que prefere qualidade em relação à quantidade. A afirmação do ex-arcebispo faz referência aos considerados católicos praticantes; aqueles que têm o hábito de freqüentar semanalmente a igreja e seguir os preceitos da religião, além de acompanhar fielmente as lições ouvidas durante o sermão feito pelo Padre. Mas até mesmo a qualidade buscada pelo Santo Pontífice será difícil de encontrar no Brasil. Outra pesquisa, desta vez feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sócias (CERIS), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostrou que apenas 10% dos católicos participam de atividades religiosas duas ou mais vezes por semana, contra 55% dos evangélicos históricos e 68% dos pentecostais. A socióloga e consultora do CERIS, Silvia Fernandes, diz que o papa não vai encontrar uma identidade católica no Brasil e sim várias. “Ser o maior país católico significa admitir a convivência de vários catolicismos”, afirma a consultora.
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terça-feira, 29 de maio de 2007
terça-feira, 22 de maio de 2007
E tem início a semana literária.
Em parceria com a Academia Mineira de Letras, a Faculdade Estácio de Sa de Belo Horizonte promoveu, do dia sete à onze de maio, uma série de palestras para o curso de Publicidade/Propaganda e Jornalismo, enfocando os vários aspectos da literatura no cotidiano brasileiro. O presidente da Academia Mineira de Letras, o advogado e ex-secretário de Estado Murilo Badaró, fez a abertura do evento narrando diversos episódeos resonsáveis pelo processo literário do Brasil. Da carta de Pero Vaz de Caminhas aos contos de Fernando Sabino, o presidente da academia mostrou, em um contexto histórico, como questões culturais e religiosas moldaram nossa literatura e quais destes aspectos ainda se encontram presentes em nossas obras. Murilo Badaró também fez uma análise conteporânea da escrita moderna; ao criticar o romance erótico "Triangulo no Ponto", escrito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau, o presidente da Academia Mineira de Letras citou uma frase de Bernardo Guimarães: "Não existe romance se não for presidido pelo bom senso e pelo bom gosto". Ao terminar a apresentação Murilo Badaró entregou ao reitor da faculdade, Carlos Alberto Teixeira, o certificado de abertura da semana literária. Após inaugurar mais uma sala no campos prado, o ex-secretário de Estado seguiu com um seleto grupo de alunos para um coquetel realizado na casa de cultura em comemoração à parceria com a faculdade.
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