terça-feira, 27 de março de 2007

Nao perdoaram nem os domingos...

A abertura do comercio aos domingos reacendeu uma velha disputa sindical entre patroes e empregados nas ultimas duas semanas. Através de liminares, varios setores comerciais tiveram o direito concedido pela justiça de abrir suas lojas em pleno domingo, dia considerado sagrado para a maioria dos brasileiros. A guerra comercial teve inicio em Salvador, Bahia, quando uma franquia de supermercados da rede Pão de Açucar obteve autorização temporaria da justiça para abrir aos domingos até as 14 horas. Isso obrigou varias concorrentes tentarem, com sucesso, compensar o prejuiso abrindo tambem no primeiro dia da semana. A polêmica teve maior repercução quando, de acordo com pesquisa feita pelo Ibope em 2003, 59% das pessoas entrevistadas sobre a abertura do comercio aos domingos eram favoraveis à ideia. O curioso é a divergencia na constituição brasileira que garante um dia de descanço para os trabalhadores, mas também concede o direito do comercio funcionar em tal dia. Isso serve para confirmar o estereotipo brasileiro de trabalhadores compulsivos.

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sexta-feira, 2 de março de 2007

E nós nao vamos fazer nada...

Em fevereiro deste ano o Brasil ficou chocado com a morte de João Helio Fernades, uma criança de 6 anos de idade morador do Rio de Janeiro. O garoto foi arrastado por 14 ruas, um trajeto que cubriu cerca de 7km dos bairros da zona norte do Rio, após quatro assaltantes, d'entre eles um menor, levarem o Corsa de sua mãe ignorando a crianca presa ao cinto de seugurançano banco de tras do veículo. Um motoqueiro que tentou alertar os meliantes quanto à crinaça pendurada pela porta foi ameaçado com uma arma por um dos assaltantes, que alegaram que João nao passava de um simples "boneco de Judas". O suplicio de Joao Helio só foi terminar quando o carro foi deixado em uma rua sem saida na regiao de Cascadura, onde os assassinos nao tiveram alternativa a nao ser abandonar o garoto e fugir a pé. A crueldade com que o crime ocorreu mobilisou grande parte do país, inclusive a força policial carioca, que em uma operação atipicamente rápida localisou os criminosos no dia seguinte. Diante de mais um episodio bárbaro o legislativo do país foi pressionado a rever muitas das leis responsaveis por crimes hediondos, inclusive as que constam no Estatuto da Criança e do Adolescente, ja que um menor de 18 anos estava envolvido no crime e segundo a lei que protege os menores o tempo máximo de reclusao de uma "criança" ou "adolescente" é de tres anos. A familia de João e grande parte dos solidarios à morte do menino, é a favor da redução da maioridade penal e uma punição mais rígida para os que cometem crimes hediondos. Segundo a Câmara dos Deputados, o país não pode tomar uma decisão desta proporção neste clima de revolta e vingança, o que terminou gerando mais polêmica sobre o caso. Instituiçoes privadas deram inicio à uma campanha cujo o slogan é a pergunta "nós não vamos fazer nada?",fazendo alusão a varios episodios de nivel bárbaro semelhantes ao de João, quando após o tempo de luto sobre o fato tudo foi esquecido, ignorado e em alguns casos até mesmo perdoado. O deputado federal Fernando Gabeira (PV) questiona quando então uma decisão será tomada, pois crimes chocantes como este estão cada vez mais frequentes, o que nao deixa espaço para a suposta calma necessaria para enfrentarmos casos como este de frente. Sendo assim, novamente por enquanto, nós não vamos fazer nada.